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Reforma Tributária: Brasil terá maior alíquota do mundo

  • Foto do escritor: Neriel Lopez
    Neriel Lopez
  • 16 de dez. de 2024
  • 3 min de leitura



A aprovação do projeto de lei complementar que regulamenta a reforma tributária trouxe mudanças significativas para a carga tributária do país. Com uma alíquota de imposto estimada em 28,55%, o Brasil superará a Hungria, que atualmente possui a maior taxa de IVA do mundo (27%).


A reforma pretende simplificar a arrecadação tributária, substituindo tributos federais, estaduais e municipais pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). No entanto, as exceções para setores da economia, como telecomunicações, saneamento e construção civil, elevaram o valor da alíquota efetiva.


Por que o Brasil terá a maior alíquota de IVA?


A alta alíquota do IVA no Brasil é resultado da necessidade de manter a arrecadação equivalente a 12,45% do PIB, respeitando o princípio de não aumentar a carga tributária. Para isso, foi necessário ajustar o valor final da alíquota, devido às concessões de benefícios fiscais a setores estratégicos.


Setores como o de prestação de serviços de telecomunicações, medicamentos oncológicos e o serviço público de saneamento foram incluídos em alíquotas reduzidas, que diminuem a arrecadação direta desses segmentos, mas obrigam outros setores a compensar com alíquotas mais altas.


Benefícios fiscais e ajustes no projeto


Durante a tramitação no Senado, diversas alterações foram feitas no projeto de lei complementar, visando atender demandas de diferentes setores da economia. Entre os principais ajustes estão:


Alíquotas reduzidas para setores como saneamento, medicamentos e serviços funerários.

Cashback ampliado, devolvendo tributos para a população mais pobre.

Descontos para o setor imobiliário e construção civil, com o objetivo de estimular a atividade econômica.

Isenção de IVA sobre aluguéis e outros serviços prestados.

Além disso, o uso de notas fiscais eletrônicas foi reforçado para reduzir a sonegação e garantir uma alíquota efetiva menor ao longo do tempo.


Previsões de redução da alíquota


A reforma tributária estabelece que a alíquota padrão deverá ser reduzida para 26,5% a partir de 2032. Para isso, será necessário revisar os benefícios fiscais e avaliar o impacto das mudanças no desenvolvimento econômico do país.


O relator do projeto no Senado, Eduardo Braga, destacou que a modernização do sistema, com maior uso de notas fiscais eletrônicas e combate à informalidade, será essencial para ajustar o valor da alíquota ao longo do tempo.


“Neste caso, acreditamos que a alíquota efetiva será menor, graças à redução de fraudes e à maior eficiência tributária”, afirmou o senador.


Comparação com outros países e impactos


Com a reforma, o Brasil terá uma alíquota de imposto superior à de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, que utilizam sistemas tributários descentralizados. A alíquota de IVA também supera a de países da União Europeia, onde a média gira em torno de 20%.


Por outro lado, o governo argumenta que o novo modelo trará ganhos de eficiência, com menos contestações judiciais e um sistema mais simplificado. Além disso, os ajustes periódicos previstos no projeto de lei complementar permitirão revisar benefícios fiscais e readequar a base de cálculo, garantindo maior equilíbrio na carga tributária.


Conclusão


A votação no Senado marcou um passo importante na modernização do sistema tributário brasileiro, mas trouxe desafios significativos. Apesar de possuir a maior alíquota de IVA do mundo, o Brasil espera compensar esse impacto com maior eficiência e arrecadação no longo prazo.


O sucesso da reforma dependerá do equilíbrio entre a arrecadação, os incentivos ao desenvolvimento econômico e a redução de sonegação. Com revisões programadas e uma abordagem tecnológica, o governo espera ajustar o valor da alíquota e promover avanços significativos no sistema tributário do país.

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